O meu Blog

O Blog "Verba Volant, Scripta Manent" foi criado no âmbito de um exercício académico (Humanística Digital). Desde então, e por forma a dar alguma continuidade à experiência iniciada na blogosfera, mantém o objectivo de partilhar alguns textos pessoais (sob o habitual pseudónimo Troyka Manuel), bem como outros materiais literários de interesse pessoal.

Todos os comentários, sugestões ou críticas serão sempre bem-vindos!

Porque as palavras faladas voam... e a palavra poética, tantas vezes, fala por si... e permanece... sempre!

sábado, 30 de novembro de 2013

[Corro]

Corro,
atrapalho-me,
grito,
defendo-me.

Caminho,
descalço-me,
abraço,
repito-me.

As mãos insistem…
Os pés conhecem o trilho…

Troyka Manuel)
12-08-2013



sábado, 23 de novembro de 2013

[só conseguia amar-te se falasse de mim] Al Berto

só conseguia amar-te se falasse de mim
sem cessar

hoje vivo quase sempre sozinho
paciência
os momentos de infelicidade estão esquecidos

uma pétala de luz percorre as linhas da mão
o rosto é aquele que sonhei
e não o que a noite dos espelhos tenta dar-me

eis o retrato de meu único amigo
a quem tudo revelo
o que me cresceu no coração


Al Berto

in Uma existência de papel

As pessoas sensíveis (Sophia)


SOPHIA DE MELLO BREYNER

As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas

O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra

«Ganharás o pão com o suor do teu rosto»
Assim nos foi imposto
E não:
«Com o suor dos outros ganharás o pão»

Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito

Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem

In Livro VI - III - As Grades

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Tραγῳδία (Gr. Tragédia)

Cai a noite na sua severidade terrível,
a luz ausente, as sombras cavernais
inimigas do arquétipo.
São fachos de luz que se apagam
num trémito e pérfido acesso trágico.

Cai o fulgor,a sombra,
fundem-se o céu e o mar
numa irmandade incestuosa
e os limites (barreiras do palpável)
deixam de ser regulares e tangíveis.
Tudo estremece na noite escura.
Tudo é pardo, informe e medonho.

Só a luz-dia do devir
pode trazer a chama roubada,
eterna vítima do olhar, 
para sempre opaca em transparência. 

(Troyka Manuel)

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Πρoμηθεύς δεσμώτης (Prometeu Agrilhoado)

(a elaborar um trabalho sobre "Prometeu Agrilhoado" de Ésquilo)

Agrilhoado imperador dos mortais
(mestre, criador, sopro de vida!),
a solidão habita o rochedo onde pereces,
vazio de alma, em lume agora apagado.
Castigado titã de amor incondicional,
homem-quase de humanidade que se dá,
duelo imortal em prisão condenado.

Soltam-se mudos os teus gritos
em águia teimosa que te arremessa
e a coragem te expia
e a coragem te castiga.
Arde o fogo por ti roubado,
esperançoso, vivo e eterno.
O teu grilhão é de ouro perene,
dádiva infinita de saber.
És princípio, és vida, filho da Terra!

Vem, previdente Prometeu!
Ganha as minhas asas
e volta a esta Luz que é tua!  

(Troyka Manuel)