O meu Blog

O Blog "Verba Volant, Scripta Manent" foi criado no âmbito de um exercício académico (Humanística Digital). Desde então, e por forma a dar alguma continuidade à experiência iniciada na blogosfera, mantém o objectivo de partilhar alguns textos pessoais (sob o habitual pseudónimo Troyka Manuel), bem como outros materiais literários de interesse pessoal.

Todos os comentários, sugestões ou críticas serão sempre bem-vindos!

Porque as palavras faladas voam... e a palavra poética, tantas vezes, fala por si... e permanece... sempre!

sexta-feira, 30 de maio de 2014

entre um sim e um não 
a dúvida de um passo a viagem
o caminho a água ou o deserto

(Troyka M.)

domingo, 18 de maio de 2014

Régua. Compasso. Esquadro.
De todas as formas definidas
ou previsíveis,
em nenhuma ousei caber.

Régua? Compasso? Esquadro?

Assim a melodia de uma vida
que se deixa em suspenso
à espera de um risco…


(Troyka Manuel)

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Em Todas as Ruas te Encontro

M. CESARINY


Em todas as ruas te encontro 
em todas as ruas te perco 
conheço tão bem o teu corpo 
sonhei tanto a tua figura 
que é de olhos fechados que eu ando 
a limitar a tua altura 
e bebo a água e sorvo o ar 
que te atravessou a cintura 
tanto tão perto tão real 
que o meu corpo se transfigura 
e toca o seu próprio elemento 
num corpo que já não é seu 
num rio que desapareceu 
onde um braço teu me procura 

Em todas as ruas te encontro 
em todas as ruas te perco 

Mário Cesariny 
In "Pena Capital"


quarta-feira, 7 de maio de 2014

Vieste como um barco carregado de vento

Vieste como um barco carregado de vento, abrindo
feridas de espuma pelas ondas. Chegaste tão depressa
que nem pude aguardar-te ou prevenir-me; e só ficaste
o tempo de iludires a arquitectura fria do estaleiro

onde hoje me sentei a perguntar como foi que partiste,
se partiste,
que dentro de mim se acanham as certezas e
tu vais sempre ardendo, embora como um lume
de cera, lento e brando, que já não derrama calor.

Tenho os olhos azuis de tanto os ter lançado ao mar
o dia inteiro, como os pescadores fazem com as redes;
e não existe no mundo cegueira pior do que a minha:
o frio do horizonte começou ainda agora a oscilar,
exausto de me ver entre as mulheres que se passeiam
no cais como se transportassem no corpo o vaivém
dos barcos. Dizem-me os seus passos

que vale a pena esperar, porque as ondas acabam
sempre por quebrar-se junto das margens. Mas eu sei
que o meu mar está cercado de litorais, que é tarde
para quase tudo. Por isso, vou para casa

e aguardo os sonhos, pontuais como a noite.

© Maria do Rosário Pedreira
Em “ O Canto do Vento nos Ciprestes”
Editora: Gótica, 2001